A existência precede a essência

Jean-Paul Sartre (1905-1980)

A palavra essência vem do latim "essentia", significa o que compõe uma coisa, as propriedades imutáveis que caracterizam sua natureza. Seria aquilo que corresponde ao mais básico, mais central e mais importante que caracteriza um ser ou uma coisa.

Segundo o filósofo grego Aristóteles (Séc. IV a.C.), essência é o conjunto de qualidades e atributos universais que caracterizam a natureza própria de uma coisa ou de um indivíduo, em oposição às alterações e mudanças de suas características que possam ocorrer. Trata-se de uma concepção idealista e metafísica sobre os conceitos originários das coisas.

Jean-Paul Sartre (1905-1980), comenta sobre a diferença entre os objetos e as pessoas em seu livro “O Existencialismo é um Humanismo”. Segundo ele, um objeto é fabricado de acordo com um conceito de quem o fabricou, com um intuito, objetivo e utilidade definida.

A essência de um objeto precede a sua existência, pois ele é fabricado pensando no que irá se tornar. Porém, com o ser humano é diferente, ele não foi fabricado por alguém com um objetivo definido, ele surge no mundo e atribui a sua vida os sentidos que escolher, sua essência é constituída por sua existência.

“A existência precede a essência.”
(Jean-Paul Sartre)

Não há uma essência, uma norma ou um Deus que predetermine a existência, mas somente possibilidades do que ela poderá se tornar. Nossa existência é o resultado das escolhas que fazemos em nossa vida.

O termo existência vem do latim "ex-sistere", que significa se projetar para fora, trazendo a ideia de sair de um domínio, de uma casca ou esconderijo, representando a ação de mostrar-se e colocar-se no mundo.

Quando nos colocamos, estamos expressando nossa existência, nosso modo de ser singular. Como não há uma essência prévia que determine o que vamos nos tornar, podemos escolher o que fazer de nossa vida. É a partir do modo como vivemos a nossa vida, que determinamos o que seremos.

Encarar a existência como fruto de nossas escolhas é nos perceber como seres livres, ao invés de determinados por uma essência prévia. E por sermos livres, somos responsáveis pelo que fazemos de nós mesmos.

A existência não é estática, ela se desenvolve e se transforma de acordo com as experiências e escolhas que fazemos, deste modo nossa identidade é continuamente criada e renovada. Cada pessoa desenvolve sua existência de acordo com suas experiências.

Estamos sempre em transformação, e isso nos possibilita fazer novas escolhas, buscar novos caminhos, reconstruir a nós mesmos a cada instante, criando e encontrando novos sentidos para a nossa vida.

"O homem primeiramente existe, se descobre, surge no mundo; e só depois se define."
(Jean-Paul Sartre)


Por Bruno Carrasco, psicoterapeuta existencial.
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