Materialismo histórico e existencialismo

Karl Marx (1818-1883)

Materialismo histórico, ou materialismo dialético, é um método utilizado para compreender a história, as mudanças na sociedade e os distintos modos de ser, por meio das condições materiais e das relações econômicas entre as pessoas.

Essa teoria foi elaborada pelo filósofo e sociólogo alemão Karl Marx (1818-1883) e o teórico Friedrich Engels (1820-1895), entendendo o desenvolvimento da sociedade de acordo com o modo como as pessoas produzem coletivamente suas necessidades.

Para o materialismo histórico, não somos fruto de um ideal ou de algo que está além de nós, mas de um desenvolvimento histórico e material. Não há como entender a sociedade e as pessoas sem compreender sua história.

Os diferentes modos de ser dos indivíduos são desenvolvidos historicamente, e não por meio de ideais ou simplesmente por necessidades biológicas. O que para um período histórico era tido como correto e valorizado, para outro pode ser incorreto e desprezado.

Porém, ao mesmo tempo que nossos modos de ser são resultantes do meio em que vivemos, não somos determinados por ele, pois estabelecemos uma relação dialética com nosso meio. Por ele somos alterados e nele alteramos algo, não se trata de uma simples reprodução, mas de uma relação de via dupla.

A consciência e as ideias de uma pessoa são constituídas por seu contexto histórico e material. Conhecendo a história de vida de uma pessoa em seu tempo nos possibilita compreender seus valores, gostos e expectativas para com a vida.

"Não é a consciência que determina a vida, mas a vida que determina a consciência."
(Karl Marx)

Somos seres históricos, pois nascemos numa época, com valores e costumes específicos. Cada pessoa é resultado de suas experiências em sua história de vida, e do modo como se relaciona consigo mesma e com os outros.

A linguagem, as instituições, a educação, por exemplo, estão diretamente relacionadas com o modo em que os homens se relacionam para produzir o que necessitam, se constituindo enquanto seres dotados de história e de cultura. As maneiras de produzir e de se relacionar não foram sempre as mesmas ao longo da história.

O materialismo histórico contraria a concepção idealista, de Georg W. F. Hegel (1770-1831), que acreditava que a razão era o fator determinante da realidade. Segundo Marx, as ideias são frutos das condições materiais e da história, nada é estático e tudo está sempre em transformação, por meio das relações entre as pessoas.

Essa concepção influenciou muito o pensamento existencialista de Jean-Paul Sartre (1905-1980), que entende o ser humano como resultado de sua história e de sua relação com os outros, contrapondo a ideia de uma essência que exista antes do ser, entendendo que suas escolhas existenciais que desenvolvem sua essência.

"A existência precede a essência."
(Jean-Paul Sartre)

Para o existencialismo, o indivíduo não é um ser meramente biológico ou uma condição que deve alcançar um modelo ideal de ser, mas uma pessoa singular, que faz suas escolhas e desenvolve seu modo de ser na relação com os outros e consigo mesma, que se transforma com a história e também modifica a história com sua intervenção nela.

A existência é sempre uma existência histórica, vivida num período e num espaço. Cada indivíduo é o reflexo de sua existência histórica, que acontece de modo singular no contexto mais amplo de uma história geral. Segundo Sartre, somos produtos e produtores da história, ao mesmo tempo que somos marcados por ela também a fazemos.

Karl Marx é um teórico muitas vezes criticado e mal visto, pois desenvolveu uma teoria que questiona os fundamentos do capitalismo. Sua filosofia é em favor da igualdade de direitos e de condições materiais, como acesso à moradia, saúde, educação, aos bens culturais e ao conhecimento.

Independente de concordar ou discordar dele, é notavelmente uma figura importante de nosso tempo, que merece ao menos ser lido e compreendido em seu contexto.


Por Bruno Carrasco, psicoterapeuta existencial.
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