Sentido da vida e vazio existencial


Qual o sentido da vida? Para que vivemos? Como devemos viver? São questões que fazemos, de tempos em tempos, em nossa existência. Nem sempre encontramos respostas, pois há muitos caminhos possíveis.

Por um bom tempo dedicamos parte de nossa vida a um estudo ou a uma profissão, adquirimos bens materiais ou estabelecemos uma família. Porém, quando paramos para refletir sobre o que estamos fazendo de nossa vida, sentimos que há algo que nos falta.

Quando vivemos todo o tempo focados em atividades corriqueiras, vamos perdendo o contato com nós mesmos. Seguimos por tantas direções que esquecemos de perceber o que nos faz sentido. Seguir caminhos já estabelecidos pode nos gerar, a longo prazo, uma sensação de vazio existencial.

A sensação de vazio é como um espaço faltoso, um lugar que deveria ser preenchido com algo, mas está vazio. Conforme pautamos nossa vida em valores externos aos nossos, evitamos o contato com a nossa existência e adotamos um sentido já pronto e definido por outros.

Na concepção existencialista, o sentido da vida não é algo pronto ou dado, mas algo construído, escolhido ou encontrado. A vida não tem sentido em si, viver é absurdo e arriscado. Portanto temos de escolher ou criar sentidos para a nossa vida.

Como escolhemos e criamos o sentido para nossa vida, somos também responsáveis pelas escolhas que fazemos. Mas, como escolher um sentido para nossa vida? Como fazemos para decidir? Existe uma escolha melhor e outra pior?

Não há como saber se uma escolha será boa ou ruim, pois isso dependerá das experiências de cada um. Uma escolha pode ser boa para uma pessoa e ruim para outra.

Para encontrar o que nos faz sentido, precisamos inicialmente nos lançar às experiências de vida. É por meio de nossas experiências que poderemos perceber o que nos faz bem e o que não nos faz, assim fazendo escolhas com as quais nos identificamos.

Perceber que a vida não tem um sentido dado pode parecer perturbador, mas é ao mesmo tempo libertador, pois nos possibilita e nos estimula a atribuir o sentido que desejamos. Cada pessoa se faz por meio de suas experiências e escolhas, livre para viver a vida de acordo com os sentidos que atribui a ela.

Vivemos todo o tempo fazendo escolhas e tendo experiências. Nossa existência depende da escolha ou criação de um sentido para ela. Seja qual for o sentido que escolhemos ou criarmos ele nos servirá como referência e direção para nossa jornada pessoal.

É o sentido que damos a nossa vida que faz com que ela tenha um significado. Porém este sentido não é estático, se algo que antes nos fazia bem agora não nos faz podemos mudar e buscar novos sentidos. Conforme vamos vivendo, algumas coisas nos fazem mais sentido que outras, e isso se transforma com o tempo, pois nós nos transformamos com o tempo.

Quem vive uma existência sem sentido pode se sentir vazio, desmotivado, paralisado ou até mesmo enfermo. Escolher um sentido qualquer ou fútil para a nossa existência pode não ser o suficiente, o interessante é escolher o que realmente faça sentido para si.

Cada pessoa é única e singular, e possui seu valor justamente por ser como é, e não como não é. Quando nos permitimos ser como somos, seguimos de encontro com o que realmente nos faz sentido, entendemos que o nosso caminho é único e pessoal e deve fazer sentido para nós mesmos.

Questionar-se sobre o sentido da vida, portanto, é uma questão que se alarga para o propósito e significado de nossa existência. Trata-se de uma busca sobre o que faremos de nós mesmos e com a relação que estabelecemos com os outros e com o mundo.

"O sentido da vida difere de um homem para outro, de um dia para outro, de uma hora a outra hora. Assim, o que importa não é o sentido da vida em termos gerais, mas o significado concreto da vida de cada indivíduo num dado momento."
(Viktor Frankl)


Por Bruno Carrasco, psicoterapeuta existencial.
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