O que é diversidade de gênero?


Diversidade de gênero parte da concepção de que não existem apenas dois gêneros, mas uma diversidade de gêneros. Trata-se de uma questão relacionada ao existencialismo, pois parte do princípio de que não há uma essência que define o ser humano, mas seu modo de existir no mundo.

Para entender melhor, é preciso inicialmente diferenciar gênero de sexo. O sexo pode ser masculino ou feminino, e corresponde à condição biológica que como uma pessoa vem ao mundo, já o gênero corresponde ao modo como uma pessoa se identifica. A pessoa pode nascer com o sexo biológico masculino e se identificar com características do gênero feminino, por exemplo.

Para Jean-Paul Sartre (1905-1980) não há nada que determine uma pessoa antes dela nascer, cada pessoa se torna o que fizer de si, em sua história de vida e por meio de suas escolhas. Simone de Beauvoir (1908-1986) entende que a pessoa não nasce homem ou mulher, mas se torna homem ou mulher, por meio de uma construção sócio-cultural.

"Ninguém nasce mulher, torna-se mulher."
(Simone de Beauvoir)

Enquanto o sexo é uma condição biológica natural, o gênero é uma construção psicológica e sócio-cultural, que está relacionado à identidade de uma pessoa. Os conceitos de como ser homem ou de como ser mulher são construções sociais, pois dependem de um tempo e local. O que temos entendemos por homem e por mulher nos tempos atuais é diferente do modo como era o homem e a mulher em tempos passados.

Por ser uma construção, não há um modelo único de ser homem ou de ser mulher, mas eles se transformam de acordo com o espaço e o período histórico. Existem diversos modelos do que possa ser homem e do que possa ser mulher que não são definidos pelo sexo biológico, mas pela relação histórica e cultural entre as pessoas.

Na Grécia Antiga, os homens tinham o costume de estabelecer relações sexuais com as mulheres apenas para a reprodução. Sua afetividade se direcionava muito mais entre um homem mais velho e outro mais novo. Para eles, o desejo sexual não era estabelecido com base no gênero, mas por meio da relação que se estabeleciam entre os outros.

Na Idade Média, o homem, passou a ver o corpo como uma "propriedade de Deus" e evitar alguns comportamentos entendidos como "pecado", reprimindo e deixando de lado seus impulsos sexuais. A relação sexual entre pessoas do mesmo sexo passou a ser mal vista e proibida.

Nos dias atuais, as pessoas estão conectadas, sempre buscando novidades e inovações em seus modos de se vestir e se portar, sabe ler e se comunicar com facilidade e sempre que pode viaja para algum lugar novo e diferente. Todas essas transformações históricas, sociais e contextuais promoveram novas formas de ser homem e mulher na sociedade.

Deste modo, a masculinidade depende de uma contextualização histórica e de uma apreensão subjetiva. Segundo a filosofa inglesa Mary Wollstonecraft (1759-1797), a mente não tem gênero, para ela, se as mulheres tivessem a mesma educação que os homens, poderiam desenvolver a mesma virtude.

Simone de Beauvoir (1908-1986) defendia a diferença entre a condição biológica (sexo) e a feminilidade ou a masculinidade (gênero). O primeiro se trata de uma condição física, já a feminilidade e a masculinidade são construções sociais e subjetivas. E toda construção é aberta a mudanças, portanto existem diversas maneiras de ser homem e de ser mulher.

Os diferentes modos de ser homem ou ser mulher são construídos e se transformam historicamente e socialmente. Além desses gêneros, há tantos outros modos de ser entre eles o heterosexual, o homosexual, a lésbica, o gay, o bissexual, o transexual, etc.

O fato de uma pessoa optar por uma identidade de gênero diferente da sua condição biológica não é um problema, mas uma questão de escolha e identificação. Para entender melhor essas questões, indico o quadro abaixo, que demonstra as diferenças entre identidade de gênero, orientação sexual, sexo biológico e expressão de gênero:



Por Bruno Carrasco, psicoterapeuta existencial. 
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