Experimento Rosenhan e diagnóstico psiquiátrico


O experimento Rosenhan, foi uma experiência prática realizado em 1972, pelo psicólogo estadunidense David Rosenhan (1929-2012), com intuito de questionar sobre a validade do diagnóstico psiquiátrico.

Neste experimento, Rosenhan pediu para que pessoas sadias simulassem estar alucinadas, para tentarem uma admissão hospitais psiquiátricos. Para isso, ele sugeriu que cada um fosse a diferentes hospitais de cinco estados dos Estados Unidos.

O próprio Rosenhan foi também um "pseudopaciente". Além dele, haviam três psicólogos, um pediatra, um psiquiatra, um pintor e uma dona de casa, sendo cinco homens e três mulheres. Nenhum deles tinha sido considerado como pessoas com problemas mentais e todos possuíam um vida bem estabelecida.

Eles tentaram a internação nos hospitais psiquiátricos, relatando como sintoma estarem ouvindo vozes não muito claras, falando "vazio", "oco" e "baque". Depois da admissão, de acordo com a experiência, eles tinham de cessar a simulação de qualquer sintoma, voltando a agir de modo "normal" e tentar receber "alta" de seu tratamento.

Na prática, todos eles foram internados rapidamente, sendo a maioria com o diagnóstico de esquizofrenia e um com diagnóstico de psicose maníaco-depressiva. Todos eles ficaram internados por uma média de dezenove dias.

Apesar das equipes médicas não terem percebido que eles simularam os sintomas para a internação mas depois de internados estavam agindo normalmente, trinta e cinco dos pacientes internados demonstraram suspeita com relação aos "pseudopacientes". Alguns chegaram a dizer: "você não está louco, você é um jornalista ou um professor universitário que está checando o hospital".

Enquanto isso, os médicos e enfermeiros continuavam acreditando que eles estavam delirando. Comportamentos comuns, como tomar notas, foram registrados pela equipe responsável de alguns hospitais como sintomas da doença.

Depois desse experimento ter sido divulgado, uma prestigiosa instituição desafiou Rosenhan a lhes enviar pseudopacientes sem aviso prévio, certificando que seriam descobertos, e ele aceitou o desafio. Depois de alguns meses, a instituição catalogou 41 pacientes como impostores e 42 como suspeitos, mas Rosenhan afirmou que não havia enviado nenhum.

O que é interessante refletir esse experimento é a questão da classificação da doença, e como ela pode fazer com que passamos a rotular a pessoa como doente, sem que ela esteja realmente doente.


Por Bruno Carrasco, psicoterapeuta existencial.
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