Como é a Psicoterapia?


A palavra psicoterapia vem de “psiquê” que significa alma, emoções ou mente e “therapia”, que significa tratar ou cuidar. A psicoterapia é portanto um procedimento que visa cuidar das emoções de uma ou mais pessoas, que acontece num período de tempo, durante alguns ou vários encontros.

Toda pessoa tem um limite de tensão que suporta em cada situação ou numa dificuldade que atravessa, depois disso sua experiência se torna muito intensa, desagradável e insuportável. É justamente nesse momento que grande parte das pessoas buscam a psicoterapia.

A psicoterapia é um processo que acontece na relação entre o psicoterapeuta e a pessoa atendida, durante uma sessão de terapia. Cada terapeuta trabalha de uma maneira específica, de acordo com sua formação, suas escolhas teóricas e valores pessoais.

O referencial teórico utilizado pelo terapeuta serve de suporte para sua prática e intervenção, inclusive para sua concepção de ser humano, de seu desenvolvimento e o modo como se relaciona consigo mesmo e com os outros. A noção do que é psiquicamente saudável ou patológico também faz parte do referencial teórico. Existem, portanto, diferentes modos de psicoterapia.

Entre as mais famosas abordagens, a terapia comportamental possui maior foco sobre o comportamento, a psicanálise trabalha com desejos e impulsos inconscientes, o psicodrama avalia os papéis desempenhados pela pessoa em sua relação com os outros, a gestalt-terapia promove a reflexão sobre o modo como cada um percebe o mundo e a si mesmo, etc.

Os diferentes enfoques correspondem a diferentes formas de psicoterapia, de entendimento do ser humano e de diferentes modos para lidar com o sofrimento emocional. Todas as abordagens trabalham para melhorar a qualidade de vida da pessoa atendida, cada uma de acordo com sua proposta.

A psicoterapia é um processo que promove o crescimento pessoal, o desenvolvimento de nossas potencialidades e um aprofundamento sobre a nossa existência e nossos modos de ser. Para isso é necessária disposição por parte da pessoa que busca terapia, para olhar para si mesmo e enfrentar suas dificuldades.

É um processo que leva vários encontros, de modo que, gradativamente, o psicoterapeuta colabora com a pessoa atendida a reorganizar seu mundo interior e se projetar de maneira mais satisfatória, possibilitando um melhor contato consigo mesmo.

A psicoterapia não tem como intuito ajustar a pessoa a um modo de ser específico. Não há critérios que definam o que seja normalidade psíquica, pois somos pessoas com histórias e experiências diferentes, não há uma verdade absoluta do que seja saudável para todos, isso vai depender dos modos de ser de cada pessoa e de suas experiências subjetivas, determinar o que seja ou não saudável para si mesma.

Além disso, dificilmente as pessoas adoecem emocionalmente por conta própria. Uma pessoa adoece em relação, num específico contexto cultural, social e familiar, que lhe gera conflitos e situações dificultosas e quase insuportáveis. Isso gera um grande sofrimento emocional, podendo levar para um adoecimento psíquico. Um ambiente tenso e conflitante pode gerar situações de sofrimento emocional e desorganização interna.

A abordagem existencial, não busca em suas práticas ajustar a pessoa à um modo de ser específico, mesmo porque não admite que exista um modo de ser padrão que as pessoas tenham de se guiar por ele para serem felizes, saudáveis ou realizadas.

Deste modo, a psicoterapia existencial valoriza o indivíduo em seu modo de ser singular, ampliando sua liberdade de escolher sua vida e suas potencialidades, sempre em processo e em permanente construção.


Por Bruno Carrasco, psicoterapeuta existencial.
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