Escolhas e projeto existencial


A filosofia existencialista entende que toda pessoa é livre para criar, recriar e transformar a sua vida. Atribuímos sentidos à nossa existência por meio das atividades que nos envolvemos. O conjunto dos desejos e escolhas de nossa vida constitui nosso projeto existencial.

O projeto existencial refere-se a algo que projetamos, que ainda não aconteceu, mas desejamos e nos movemos para que aconteça. É sempre algo que pode ou não acontecer, pode acontecer tal como esperávamos ou se transformar na prática.

Todo o tempo estamos vivendo focados em algo, seja num trabalho, nos estudos, num ou mais relacionamentos ou em atividades diversas. Necessitamos de algo para o qual direcionamos nossa existência, que nos dê motivo para viver, e pode ser algo escolhido, acolhido ou criado.

Somos livres para criar a nós mesmos estabelecer nossos projetos de vida, de certo modo a sempre estamos escolhendo a direção que damos à nossa existência. É por meio de nossas escolhas que orientamos o sentido de nossa vida e nossos modos de ser, priorizando atividades que nos interessamos e nos distanciando do que não nos faz sentido.

Quando colocamos nossas escolhas em prática, materializamos o nosso projeto existencial. Assim, escolhemos algo no qual nos engajamos, nos projetamos e direcionamos a nossa existência. Cada pessoa realiza seu projeto existencial na medida em que o faz, em que coloca em prática o que decide para si mesma.

No fazer algo que escolhemos, colocamos em prática e na relação com os outros nosso novo modo de ser, passando então a envolver outras pessoas também em nosso projeto. A efetivação da escolha demanda empenho, persistência, dedicação e tempo. E nesse processo pode ser que não aconteça como esperado ou que a prática não seja satisfatória, demandando a busca de novas maneiras para lidar com as novas circunstâncias ou fazer novas escolhas.

A possibilidade de largar mão de um projeto nem sempre é ruim, pois quando escolhemos fazemos num certo momento com desejos e expectativas envolvidas, e isso não significa que quando efetivada a escolha será tal como esperávamos. Além disso, pode ser que não nos seja tão interessante a efetivação de tal escolha na prática.

Uma escolha decidida depende sempre da experiência, para que se possa comprovar (ou não) o sentimento e as buscas que a motivou. Uma escolha pode parecer ótima no plano ideal, mas na prática pode não ocorrer da mesma maneira. Não há como saber como vamos nos sentir com cada escolha que fizermos, por isso é preciso experimentar na prática (e não somente em teoria) para que possamos avaliar.

Somente depois da experiência vivenciada que teremos condições de avaliar se foi boa ou ruim, se nos sentimos bem ou se não nos sentimos bem, se desejamos continuar, se devemos fazer de outra maneira ou se nos é melhor largar mão e buscar outros caminhos. E isso ninguém pode fazer por nós, é uma decisão individual, que somente a pessoa que vivencia pode avaliar.
Nem sempre fazemos boas escolhas, inclusive se não estamos acostumados a fazer escolhas é comum que, de início, façamos muitas escolhas ruins, mas elas nos são tão necessárias quanto as boas, pois as escolhas ruins nos mostram o que não queremos, e perceber o que não desejamos já é um passo para perceber melhor o que desejamos.

Conforme vamos escolhendo e vivenciando as escolhas que fazemos, passamos a fazer melhores escolhas pois aprendemos e nos desenvolvemos com as experiências. É um processo que leva tempo, percepção, autoconhecimento. Não é fácil, mas pode ser muito satisfatório a longo prazo.

Algumas pessoas fazem sempre as mesmas escolhas, para evitar a dificuldade do contato com o novo ou com uma situação inusitada. Outros preferem não escolher e se deixam levar pelo que acontece, porém a não escolher é também uma escolha, é a escolha de não se mover, de deixar as coisas como estão.

De todo modo, nossa vida é resultado também de nossas escolhas, e se não fazemos as nossas escolhas, outras pessoas fazem por nós. E você então escolhe, quer viver sua vida ou deixar que outros escolham em seu lugar. Qual a sua escolha?


Por Bruno Carrasco, psicoterapeuta existencial.

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