Existencialismo e fenomenologia, diferenças


Existencialismo e fenomenologia são dois temas que se fundem e se confundem em diversos momentos, trata-se de duas filosofias contemporâneas que possuem características muito próximas. Há pessoas que falam sobre o existencialismo que estão também comentando sobre a fenomenologia, outros comentam sobre a fenomenologia e também citam questões existenciais.

Para comentar de um modo sintético, o existencialismo é uma filosofia ética, que questiona sobre a nossa ação no mundo, a maneira como nos colocamos e estabelecemos nossos valores, como escolhemos ou deixamos de escolher. Reflete sobre questões como a liberdade de ser, a angústia, o sentido da vida, a finitude, a autenticidade, entre outras, analisando o ser humano em seus aspectos concreto, singular, afetivo e temporal.

Já a fenomenologia é um método epistemológico de aquisição de conhecimento, um método que estabelece um modo sobre como entendemos as coisas e o mundo, que compreende que não há uma dicotomia entre sujeito e objeto, mas uma correlação entre eles. Busca observar os fenômenos tal como eles aparecem para uma consciência, não tem como busca os fatos objetivos, mas suas possíveis descrições subjetivas.

Para que o existencialismo seja aplicado na psicoterapia, é necessário um método, um paradigma teórico que oriente a prática. É o método que possibilita o psicoterapeuta analisar as peculiaridades de cada ser humano, ao invés de apenas avaliar suas descrições objetivas. Por meio do método fenomenológico, o psicoterapeuta pode compreender as questões subjetivas de uma pessoa específica, que diferenciam das outras pessoas, inclusive seus modos de ser e de se relacionar consigo mesmo e com os outros.

O método fenomenológico na psicoterapia existencial não busca detectar sintomas na pessoa, como o modelo tradicional, mas busca compreender as singularidades existenciais de cada um, o modo como cada pessoa lida com suas dificuldades, como cada um entende sua vida e lida com o fato de ser humano e estar no mundo, como cada um se sente vivendo a vida do modo que vive, valorizando suas peculiaridades.

A fenomenologia é uma ciência da subjetividade, que compreende que não somos seres meramente racionais, mas que nos relacionamos com as pessoas, com as coisas e com o mundo de maneira afetiva e pré-reflexiva. Esse método não tem como busca encontrar as "verdades" objetivas sobre o ser humano, mas aprofundar no conhecimento sobre cada ser existente, em suas singularidades e sua subjetividade, percebendo suas dificuldades e suas potências.

O existencialismo e a fenomenologia se entrelaçam por serem duas tendências de filosofia contemporânea que questionam a objetividade, a metafísica, a ideia de que a ciência positivista pode conhecer sobre tudo e a ideia de neutralidade do psicoterapeuta. Além disso se desenvolveram num local e período histórico aproximado, na Europa entre o final do século XIX e o século XX, que apesar de serem pouco conhecidos, estão se popularizando cada vez mais.

Segundo essas filosofias, a experiência humana no mundo não é tão objetiva quanto se propõe as ciências naturais, nem tão idealizada como declaram as filosofias metafísicas, entende que a ideia de que a ciência possa conhecer sobre tudo é um bocado pretensiosa, e que não há neutralidade no estudo do ser humano, já que toda consciência é intencional, pois sempre observamos um objeto de acordo com um ponto de vista.

Compreender essas duas filosofias é primordial para se compreender a prática psicoterapêutica na abordagem existencial, e também para entender as filosofias contemporâneas, que se diferenciam do projeto moderno e das tendências da filosofia moderna, que eram o Racionalismo, o Empirismo e o Iluminismo. Hoje a filosofia é muito mais ampla e questionadora, e ao mesmo tempo um tanto mais complexa para ser compreendida.


Por Bruno Carrasco, psicoterapeuta existencial.
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