O que a psicologia estuda?


A psicologia estuda o ser humano, na busca de entender o que o faz ser como é, como se emociona, se alegra e entristece, como se recorda de situações e retêm memórias, como aprende e se desenvolve, entre outras questões.

O estudo sobre o ser humano acontece desde a antiguidade. Há muito tempo, filósofos e pensadores tentavam entender seus valores, expectativas e desejos perante a vida, buscando captar a complexidade do que significa "ser humano".

Etimologicamente, a psicologia significa o estudo da alma, termo resultante de duas palavras gregas "psyché", que significa alma, mente ou emoções, e "logos", que significa estudo ou razão. Atualmente a psicologia é uma ciência que estuda o ser humano, de modo a possibilitar uma convivência mais saudável e lidar com suas dificuldades emocionais.

Algumas das questões feitas pela psicologia são: Como aprendemos? Como a criança se desenvolve? Qual a diferença entre a adolescência e a velhice? Como somos afetados por nossas emoções? Como desenvolvemos nossos pensamentos e crenças? Como as pessoas resolvem seus problemas e conflitos? Como percebemos o mundo? O que motiva nossos comportamentos? O que pode gerar o sofrimento emocional? Como estimular a criatividade?

Uma das características do ser humano é que ele é um ser complexo, que se desenvolve segundo condições biológicas, históricas, sociais e subjetivas. Os diferentes modos de ser de cada pessoa dependem de suas condições fisiológicas, do momento histórico em que vivem, de suas relações sociais e também do modo como interage internamente consigo mesma.

Quando uma pessoa nasce, ela chega ao mundo com certas condições biológicas que, quando em contato com os outros passa a desenvolver uma consciência do mundo e de si mesma. Passa a perceber que outro se relaciona e convive com códigos culturais e modos de ser, sendo por eles transformada e também propondo transformações.

Coexistem diversas necessidades que nos levam a busca de satisfação e equilíbrio emocional. Quando não conseguimos podemos nos sentir insatisfeitos e incomodados, gerando tensão física e psíquica. Quando alcançamos a satisfação reduzimos nossa tensão e nos sentimos mais confortáveis. Nosso organismo está sempre se desequilibrando e se reequilibrando.

O modo como somos depende de uma série de fatores que envolvem nossas condições físicas, as experiências com a cidade onde moramos, com a família, os amigos, colegas e a sociedade como um todo, as escolhas que fazemos, e o modo como recebemos e interpretamos nossas experiências. Portanto, o modo de ser de cada pessoa é resultante de sua relação com o mundo e consigo mesma.

Seguimos a vida, um dia após o outro, envolvidos em diversas tarefas e atividades, e não paramos muito para perceber a nós mesmos, nossas experiências e nosso modo de ser. Nem sempre refletimos sobre quais escolhas temos feito e para quais caminhos elas têm nos levado, e inclusive, qual a nossa responsabilidade pelo cuidado com a nossa existência.

Sem tempo para parar e se atentar a essas questões, por vezes até sem amigos de confiança para desabafar, e não encontrando meios para expressar nossas angústias e dúvidas, podemos nos sentir sós e vazios. Se não encontramos meios para lidar com nossos conflitos de maneira saudável podemos adoecer emocionalmente, gerar doenças psicossomáticas e distúrbios que afetam inclusive nosso organismo.

Conflitos não resolvidos (ou mal resolvidos) podem gerar consequências amplas e profundas, afetando o indivíduo como um todo, seus sentimentos, pensamentos e ações, podendo levar ao adoecimento psíquico ou até uma doença psicossomática.

É justamente neste momento que se faz necessário um acompanhamento psicológico, por um profissional especializado, para que se possa compreender com atenção as questões que estamos atravessando e nos auxiliar a encontrar meios para sair de nossos abismos emocionais. A psicologia, enquanto prática, busca auxiliar pessoas que estão atravessando situações de sofrimento emocional e mental.

O psicoterapeuta é um profissional que deve trabalhar buscando auxiliar as pessoas a se compreenderem e a se relacionarem melhor consigo mesmos e com os outros, inclusive a encontrarem meios para lidar melhor com as próprias emoções e sentimentos, desenvolvendo suas potencialidades para viver de forma mais saudável, criativa, livre e confiante.


Por Bruno Carrasco, psicoterapeuta existencial.
Tecnologia do Blogger.