O que é ser normal?


As pessoas se diferenciam pelo modo como cada uma vive sua vida. A normalidade é muitas vezes relacionada a um modo de ser padrão estabelecido por um grupo de pessoas como correto ou adequado.

O que é normal varia de acordo com a cultura, com o espaço e com o tempo em que estamos inseridos. O louco ou anormal é visto como aquele que não se encaixa nos padrões e modos de ser de um grupo de pessoas, que envolve maneiras de se portar, de se vestir, de comunicar e de agir em diversas situações.

Cada indivíduo guia sua vida por modos de ser de acordo com o modo como foi educado e com sua relação com os grupos convive, que envolve a cultura onde está inserido, sua família, a escola, os vizinhos, o trabalho, etc. Com o passar do tempo cada pessoa desenvolve seus gostos e características particulares na relação com os outros.

Nossos valores são um reflexo do que escolhemos, o que para nós é certo ou errado, bom ou ruim, o que acreditamos que deve ser feito ou não parte de nossas experiências subjetivas. Como cada pessoa é uma, coexistem diferentes maneiras de ser e distintas concepções do que seja certo ou errado, bom ou mal. Enquanto que cada um se guia por suas referências pessoais, que aprendeu ou desenvolveu em sua vida.

A ideia de normalidade muitas vezes é entendida relacionada com a moralidade, a um modo de ser correto e adequado socialmente. Para que a pessoa seja vista como normal, tem de se mostrar e agir de uma maneira específica, entendida como adequada para um grupo social determinado. A pessoa que não corresponde com esses modos acaba sendo vista como louca, anormal, equivocada ou problemática.

O modo de ser normal tido por um grupo social pode ser anormal para outro grupo. O conceito de normalidade que aprendemos culturalmente corresponde muitas vezes a um estilo de vida limitador, onde a maioria das pessoas vivem de aparências, fingindo ser o que não são e julgando os outros que são diferentes de si como errados, simplesmente por não serem como são.

Muitas pessoas pensam dessa maneira, e julgam as outras dessa maneira, acreditam que quem não vive igual a um padrão ou que faz escolhas diferentes é errado ou problemático. Essa interpretação é totalmente equivocada, intolerante e discriminadora para com o diferente, por não reconhecer que as pessoas podem viver de outra maneira, e que coexistem diferentes modos de ser.

Viver correspondendo a um padrão não é sinônimo de saúde. Pelo contrário, muitas pessoas sofrem justamente por se sacrificarem para se ajustar a uma norma, com o intuito de serem bem vistas acabam se obrigando a fazer o que não se sentem bem, tornando-se o que não são, se anulando e gerando sofrimento emocional.

A normalidade é apenas uma estatística, não significa saúde emocional nem garante uma vida feliz. O normal para uma pessoa pode não ser para outra, isso depende dos valores e das experiências de cada um. Não há que se preocupar em ser normal, o mais importante é ir de encontro com o que se sente bem, independente de rótulos ou das expectativas alheias.

Segundo o existencialismo, não há um modo de ser que defina nossa existência, nem um modelo que seja o único e correto sobre como viver a vida. A vida não tem sentido algum, somos nós que atribuímos sentido a ela por meio de nossas experiências e escolhas, e cada pessoa é livre para atribuir o sentido que desejar, sendo eticamente responsável pelas escolhas que fizer.

"A normalidade é tão-somente uma questão de estatística."
(Aldous Huxley)

Por Bruno Carrasco, psicoterapeuta existencial.
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