O que é ser autêntico?


Autenticidade é agir de acordo com o que faz sentido para nós mesmos, é assumir a nossa liberdade sem escusas, e nossa responsabilidade perante as escolhas que fazemos. Para sermos autênticos, precisamos inicialmente nos perceber. O que nos move? O que nos faz sentir bem? Com o que nos identificamos?

Cada pessoa se constitui a partir de suas experiências de vida e do modo como reage a elas. Somos resultado de nossas vivências, das escolhas que fizemos, das pessoas que convivemos, dos lugares que frequentamos, dos livros que lemos, dos filmes que assistimos, das atividades que realizamos, entre tantas outras vivências.

Nem sempre é fácil perceber o que nos faz sentido, muitas vezes encontramos experimentando coisas com as quais não nos identificamos. Perceber o que não nos faz sentido é também um meio para seguir em busca do que nos faz sentido.

Começamos a nos tornar autênticos quando percebemos que não precisamos levar a vida como uma regra já definida e que não temos de ser o que os outros esperam de nós. Compreender isso nos possibilita rever a vida que levamos e ir em busca de novas possibilidades, experimentando e criando novos modos de ser.

Autenticidade é nos perceber mais profundamente, reavaliando o que desejamos e o que não desejamos. Ser autêntico implica em gerar atrito com quem espera que sejamos de um modo específico, implica também em reconhecer nossas limitações e dificuldades, para ir além delas.

A pessoa autêntica é aquela que faz suas escolhas, tomando suas decisões com base em seus próprios valores e sentimentos. Para isso, é preciso não se preocupar tanto com o que os outros esperam de mim ou do modo como vão julgar sobre o que eu faço.

Quando assumimos nossas escolhas autênticas é comum sermos alvo de críticas e julgamentos, pois cada pessoa elabora uma expectativa com relação às outras, e ao agirmos em nosso favor, acabamos por frustrar expectativas de outras pessoas com relação à nós mesmos.

Conforme passamos a fazer escolhas alinhadas com nossos sentimentos e valores pessoais, passamos a nos sentir mais autônomos para escolher a nossa própria vida, e entendemos que diante cada situação que podemos fazer novas escolhas. Com isso, vamos encontrando novas maneiras de lidar com situações difíceis, colocando em prática o que realmente desejamos e acreditamos,

A autenticidade caminha sempre em relação com a inautenticidade. Talvez seja um tanto difícil levar uma vida, a todo momento, autêntica. Por isso mesmo, seguimos num fluxo entre a autenticidade e a inautenticidade.

Com o exercício da autopercepção vamos, aos poucos, nos sentindo mais seguros e confortáveis com nossas escolhas e nos mostramos para as outras pessoas, do modo como desejamos ser. Lembrando que todos os modos de ser são permitidos, pois a vida não tem um programa de como deve ser vivida, somos livres para fazer escolhas e criar diferentes modos de ser.

Todas as escolhas que fazemos geram consequências, e, por sermos livres para escolher, somos eticamente responsáveis pelas consequências de nossas escolhas. Deste modo, a medida de nossas escolhas futura será também guiada pelas consequências das escolhas passadas.


Por Bruno Carrasco, psicoterapeuta existencial.
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