Expressionismo e existencialismo


Expressionismo é um movimento artístico e cultural iniciado na Europa no final do século XIX, que valoriza a vivência existencial, subjetiva e pré-reflexiva, como potência expressiva.

Não tem como intuito reproduzir as cópias exatas e objetivas da natureza, mas representar a impressão particular, do modo segundo cada um percebe e capta a realidade num dado momento.

Suas características são a recusa do princípio de realidade objetiva, a exploração da vivência existencial e de sua possibilidade de recriar o real, a valorização da subjetividade e criatividade, a primazia da expressão dos sentimentos ao invés da simples descrição objetiva da realidade e o reconhecimento do lado irracional e emotivo de cada artista.

Propondo uma nova forma de entender a arte, este movimento envolveu diversos campos artísticos, tais como a pintura, as artes plásticas, a arquitetura, a música, o cinema, o teatro, a dança e a fotografia. O pintor holandês Vincent Van Gogh (1853-1890) foi um precursor deste movimento e alguns dos pintores expressionistas de maior destaque foram o norueguês Edvard Munch (1863-1944), o suíço Paul Klee (1879-1940), e o alemão Erich Heckel (1883-1970)

Esse movimento marcou uma reação positivismo e sua busca de representar as coisas e o mundo de maneira estritamente objetiva. A expressão do artista, que reflete sua percepção pessoal é oposta à mera descrição objetiva da realidade, não algo "neutro" e passivo, mas algo emotivo e envolvido.

Os pintores do expressionismo tinham como intuito retratar o lado doloroso e angustiante da existência humana, os conflitos psicológicos e o indivíduo sofrido emocionalmente, que se sente alienado e solitário numa sociedade moderna e industrializada.


Tal como o expressionismo, o existencialismo também se iniciou na Europa, no final do século XIX e início do século XX, como uma vertente de filosofia focada na existência humana em seus aspectos concreto e singular.

Compreende que cada indivíduo percebe o mundo por meio de seus afetos, e que cada um possui uma apreensão particular da realidade, criticando também o positivismo que pretende uniformizar as pessoas e o entendimento sobre o mundo, o existencialismo valoriza os diferentes modos de ser, de entender o mundo e de viver a vida.

A existência humana, segundo os existencialistas, é fruto das experiências de vida de cada um, que por meio de suas escolhas define seu caminho e projeta seu modo de ser no mundo, de modo que cada um atribui um sentido e significado particular para a vida.

Essa liberdade de escolher os caminhos de nossa vida é geradora de angústias existenciais, pois, ao nos percebermos livres, nos angustiamos diante da dificuldade de escolher, e inclusive do peso da responsabilidade de nossas escolhas.

Os precursores da filosofia existencialista foram o alemão Arthur Schopenhauer (1788-1860), o norueguês Sören Kierkegaard (1813-1955) e o alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900). Os existencialistas mais conhecido foram os franceses Jean-Paul Sartre (1905-1980), Simone de Beauvoir (1905-1986) e Albert Camus (1913-1960).

Expressionismo e existencialismo são duas vertentes que constataram que cada pessoa percebe suas experiências de maneira afetiva e peculiar, que as pessoas são diferentes entre si e que o existir humano envolve momentos de angústia, solidão e incertezas.

Reparando bem nessas duas correntes, uma artística, e outra filosófica, é possível perceber uma série de semelhanças, desde o período e local onde que se desenvolveram, até o modo como entendem a existência humana e os temas existenciais que valorizam.


Por Bruno Carrasco, psicoterapeuta existencial.
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