Diferenças entre a Psicoterapia Existencial e outras abordagens


A psicoterapia, na abordagem existencial, possui algumas características que a diferencia de outras abordagens em psicologia. Neste breve texto comento um pouco sobre suas diferenças e peculiaridades.

Enquanto algumas abordagens tem como objetivo o tratamento ou a cura de uma "doença", "desvio" ou "sintoma", a psicoterapia existencial tem como intuito compreender a pessoa em seus distintos modos de ser, seus sentimentos, valores, particularidades, dificuldades e potencialidades.

O foco da psicoterapia existencial não está somente para o "sintoma" ou uma "doença", mas para a pessoa como um todo, na busca de compreender o que é saudável e doentio para cada um, pois não utiliza classificações prévias sobre "saúde" e "doença", como se utilizam as abordagens mais tradicionais.

A pessoa nunca é enquadrada numa classificação, pois ao classificar negamos suas particularidades, e a busca da psicoterapia existencial é justamente compreender as particularidades de cada um, como ela se sente consigo mesma e com os outros, o que constitui seu momento presente, como ela lida com suas escolhas, entre outros aspectos.

O intuito da terapia não é o de "curar" uma "doença", mas possibilitar o encontro da pessoa consigo mesma, com suas emoções, com sua história de vida, com os seus valores e com o que cada um sente ser saudável para si, inclusive buscando compreender também o que seja saudável para si.

"O principal objetivo da psicoterapia existencial é proporcionar uma maximização da autoconsciência para favorecer um aumento do potencial de escolha; é proporcionar uma ajuda efetiva ao cliente no sentido de descobrir-se e autogerir-se; é ajudá-lo a aceitar os riscos de suas próprias decisões responsáveis, enfim, de aceitar a liberdade de ser capaz de utilizar suas próprias capacidades para existir."
(Tereza Erthal, em 'Terapia Vivencial: uma abordagem existencial em psicoterapia', 1989)

Deste modo, o intuito da psicoterapia existencial é muito mais de proporcionar um aprofundamento sobre sua própria existência e uma autonomia suficiente para fazer e assumir escolhas em sua vida, de modo que a pessoa se sinta livre para dizer "sim" ou dizer "não" diante de diferentes situações que atravessa em sua vida.

O ser humano, na abordagem existencial, não é visto como um mero resultado de estímulos fisiológicos, de dispositivos inconscientes ou de comportamentos condicionados, mas um ser resultante de suas escolhas de vida, de suas condições materiais e seu contexto histórico, inclusive de suas experiências subjetivas.

Justamente por isso que a psicoterapia existencial é utilizada juntamente com o método fenomenológico, que busca compreender a pessoa tal como ela se mostra em seu modo de ser subjetivo, deixando de lado preconceitos e suposições, para receber a pessoa em sua experiência individual, de acordo com sua percepção de mundo.

E este é o fenômeno a ser analisado durante a psicoterapia existencial, a pessoa que se mostra. A existência é analisada a partir da própria existência concreta e subjetiva, e não por meio de conceitos, classificações ou teorias sobre a existência.

Tudo isso diferencia muito a psicoterapia existencial das outras abordagens, pois ela não busca ajustar a pessoa a um modelo de "saúde mental", nem a tentar "descobrir" conteúdos reprimidos do inconsciente, mas entrar em contato com seus sentimentos e percepções tal como percebe e sente, estimulando sua autopercepção e uma compreensão mais profunda de si, para um viver mais autêntico e livre consigo mesmo e com os outros.


Por Bruno Carrasco, psicoterapeuta existencial.
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