Hipócrates de Cós


Hipócrates (460-370 a.C.) é considerado uma das figuras mais importantes da história da Medicina, comumente chamado de "pai da medicina", pois foi o principal formulador de um sistema de teorias médicas na antiguidade.

Em suas obras ele escreveu descrições clínicas para se diagnosticar doenças como a malária, papeira, pneumonia e tuberculose. Para o estudioso grego, muitas epidemias se relacionavam com fatores do meio onde as pessoas viviam, fatores climáticos e dietéticos.

Nasceu numa ilha grega, viajou pela Grécia e também pelo Oriente, foi membro de uma família que já praticava durante várias gerações cuidados com a saúde. Fez parte do florescimento intelectual grego, juntamente com Demócrito, Sócrates e Aristóteles. Foi chefe da "Escola de Cós" e lecionou medicina em Atenas, sendo admirado e influenciado por Platão e Aristóteles.

Ele rejeitava a superstição e às práticas mágicas da "saúde" primitiva, direcionando os conhecimentos da saúde para um sentido mais científico. Grande parte de suas descrições são válidas ainda hoje. Seus escritos sobre anatomia contêm descrições bem precisas tanto sobre instrumentos de dissecação quanto sobre procedimentos práticos.

Hipócrates fundamentou a sua prática e a sua forma de compreender o organismo humano, incluindo a personalidade, na teoria dos quatro humores corporais: sangue, fleuma (ou pituíta), bílis amarela e bílis negra. Segundo ele, dependendo das quantidades presentes no corpo, levariam a pessoa a estados de equilíbrio ou de doença e dor.

Segundo ele, as doenças, durante um certo tempo, evoluem de forma silenciosa até alcançarem o momento crucial, chamado krisis (crise), momento em que a doença se define, rumo à cura ou não. O bom médico deve identificar o kairós (momento oportuno) de agir. Esse tempo (kairós) não dura muito tempo (khronos) e, portanto, o médico não tem tempo a perder. Sua teoria influenciou Cáudio Galeno (129-217), médico e filósofo romano que desenvolveu a teoria dos humores, influenciando a ciência médica ocidental até por volta do século XVIII.

Hipócrates escreveu em torno de setenta obras, algumas delas são consideradas mais importantes: "Aforismos", "Da Medicina Antiga", "Da Doença Sagrada", "Epidemias", "Da Cirurgia", "Das Fraturas", "Das Articulações", "Dos Instrumentos de Redução", "Dos Ferimentos na Cabeça", "Prognósticos", "Dos Ares", "Águas e Lugares", "Do Regime nas Doenças Agudas", "Das Úlceras", "Das Fístulas", "Das Hemorróidas" e o "Juramento".

O famoso "Juramento de Hipócrates" contém sua ética profissional, que defende exercer a arte de curar sempre fiel aos princípios de honestidade, caridade e ciência, garantindo o sigilo das informações dos pacientes, sem corromper os costumes ou favorecer crimes.


Juramento de Hipócrates


"Eu juro, por Apolo, médico, por Esculápio, Higia e Panacea e por todos os deuses e deusas, a quem conclamo como minhas testemunhas, juro cumprir, segundo meu poder e minha razão, a promessa que se segue: estimar, tanto quanto a meus pais, aquele que me ensinou esta arte; fazer vida comum e, se necessário for, com ele partilhar meus bens; ter seus filhos por meus próprios irmãos; ensinar-lhes esta arte, se eles tiverem necessidade de aprendê-la, sem remuneração e nem compromisso escrito; fazer participar dos preceitos, das lições e de todo o resto do ensino, meus filhos, os de meu mestre e os discípulos inscritos segundo os regulamentos da profissão, porém, só a estes.

Aplicarei os regimes para o bem do doente segundo o meu poder e entendimento, nunca para causar dano ou mal a alguém. A ninguém darei por comprazer, nem remédio mortal nem um conselho que induza a perda. Do mesmo modo não darei a nenhuma mulher uma substância abortiva.

Conservarei imaculada minha vida e minha arte.

Não praticarei a talha, mesmo sobre um calculoso confirmado; deixarei essa operação aos práticos que disso cuidam.

Em toda a casa, aí entrarei para o bem dos doentes, mantendo-me longe de todo o dano voluntário e de toda a sedução sobretudo longe dos prazeres do amor, com as mulheres ou com os homens livres ou escravizados.

Àquilo que no exercício ou fora do exercício da profissão e no convívio da sociedade, eu tiver visto ou ouvido, que não seja preciso divulgar, eu conservarei inteiramente secreto.

Se eu cumprir este juramento com fidelidade, que me seja dado gozar felizmente da vida e da minha profissão, honrado para sempre entre os homens; se eu dele me afastar ou infringir, o contrário aconteça."


Algumas citações:


"A guerra é a melhor escola para um cirurgião."

"A febre da doença é causada pelo próprio corpo. A febre do amor é causada pelo corpo de outro."

"Tuas forças naturais, as que estão dentro de ti, serão as que vão curar tuas doenças."

"Para os males extremos, extremos remédios."

"Trabalhar, comer, beber, dormir e amar, tudo deve ser moderado."

"Se duas dores aparecem ao mesmo momento em dois pontos diferentes do corpo, a mais forte reprime a outra."

"A cura está ligada ao tempo e às vezes também às circunstâncias."

"Os homens pensam que a epilepsia é divina meramente porque não a compreendem. Se eles denominassem divina qualquer coisa que não compreendem, não haveria fim para as coisas divinas."


Por Bruno Carrasco, psicoterapeuta existencial.
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